Simpósio de Mobilidade Ativa

Se cidades como Amsterdã conseguiram mudar sua relação com o carro e com a bicicleta, por que São Paulo não pode fazer o mesmo?

Essa foi uma das provocações que atravessaram o 1º Simpósio de Mobilidade Ativa, Esporte, Cicloturismo e Empreendedorismo do Shimano Fest 2026.

Durante quatro dias, colocamos diferentes setores e perspectivas na mesma conversa para discutir não apenas onde a bicicleta está hoje, mas o que ainda precisamos transformar para que ela ocupe um espaço cada vez maior nas cidades.

Trouxemos para o centro da discussão a sustentabilidade financeira no esporte, vias e estratégias do cicloturismo e sua importância no desenvolvimento dos territórios, nosso papel de hoje para assegurar cidades mais humanas para as novas gerações, pensamos nas  infraestruturas cicloviárias, no fomento a cultura da bicicleta e no futuro dos grupos de pedal.

“A gente conseguiu atingir todos os setores: turismo, meio ambiente, agricultura, mobilidade, e chegar ao contexto de uma saúde coletiva e das mudanças climáticas. E a bicicleta, como sempre, é a nossa melhor alternativa”, comenta Luiz Saldanha, Diretor Executivo da Aliança Bike.

Trazendo a experiência do projeto TransCerrado para o painel, o doutor em Ecologia Paulo Moutinho compartilhou sua vivência em expedições de bicicleta pelo bioma brasileiro. Há alguns anos, sua travessia chegou a 200 a 400 quilômetros, combinando o pedal com a coleta de dados sobre a qualidade do ar, o desaparecimento de rios e os impactos sofridos pelo Cerrado, além do contato direto com os territórios e seus moradores.

A partir dessa experiência, Moutinho trouxe uma perspectiva provocadora para o simpósio:

“A bicicleta vai muito além da mobilidade ativa e do esporte. Ela também pode ser uma ferramenta de preservação ambiental, capaz de aproximar as pessoas dos territórios, produzir conhecimento sobre as transformações do ambiente e gerar renda para as comunidades locais.”

Também no sábado, Teije Gorris, da Dutch Cycling Embassy, trouxe a experiência dos Países Baixos para mostrar que cidades não nascem prontas para a bicicleta: elas fazem escolhas. 

Ao revisitar a transformação iniciada no país nos anos 1970 e compartilhar suas impressões depois de pedalar por São Paulo, deixou uma provocação importante: se outros lugares conseguiram mudar, também podemos acreditar na transformação das nossas cidades.

Teije voltou à programação no debate sobre planejamento e infraestrutura cicloviária, ao lado de representantes de Niterói de Bicicleta, CET-SP, GDCI e Ciclocidade, ampliando a discussão sobre os diferentes caminhos necessários para tornar nossas cidades mais preparadas para quem pedala.

Renata Falzoni também trouxe sua trajetória e décadas de mobilização pela bicicleta para o centro do debate. E, no domingo, olhamos para outra dimensão importante dessa cultura: o futuro dos grupos de pedal, que mobilizam milhares de pessoas em torno do lazer, do esporte e do cicloturismo.

Tivemos também o encontro com Henrique Avancini que foi um dos momentos de maior público do simpósio. Para além de compartilhar sua trajetória no esporte, o ciclista brasileiro e bicampeão mundial de Mountain Bike Maratona também deixou uma mensagem importante:

“Precisamos de mais eventos como este dedicados à bicicleta no Brasil, de mais lugares para debater a importância da bike para o presente e futuro das cidades.”, comentou o atleta. 

Os auditórios cheios ao longo desses quatro dias têm ajudado a materializar justamente essa vontade do ciclista e de quem construiu o simpósio: existe demanda. Existe gente querendo movimentar essas pautas e uma rede já atuando nisso. 

Mas, ainda existem muitas bolhas que ainda podemos furar.

Como resumiu Giuliana Pompeu, mediadora do painel sobre criadores de conteúdo e influenciadores: “Tem hora que é legal falar com o nosso público, tem hora que a gente fura essa bolha para poder falar com outros públicos. Trazer novos holofotes para o debate”

Depois de quatro dias de encontros, provocações, aprendizados e novas conexões, a gente começa esta semana com muita coisa para colocar em movimento e uma certeza:

O I Simpósio de Mobilidade Ativa termina, mas a conversa não. 

Agora é pensar nos próximos movimentos e continuar acreditando no impacto social e poder transformador da bike.  

Nosso agradecimento à Shimano, ao gabinete da vereadora Renata Falzoni, ao Consulado dos Países Baixos em São Paulo, e a todas as iniciativas, convidados e pessoas que construíram esses quatro dias com a gente.

Valeu, Shimano Fest. Até 2027! 

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